Fase - 04: Costurando Domínios MPLS – Interoperabilidade SR-MPLS e LDP Tradicional com Nokia.
Como vocês acompanharam nas Fases I, II e III abordamos o cerne do Segment-Routing com a implementação de EVPN, VPRN e 6PE + RR sobre SR-MPLS. O objetivo foi mostrar a capacidade, escalabilidade e a simplificação do novo core.
Mas e o LDP tradicional e sua migração?
Nesta Fase 4, quero ir além e trazer para a comunidade que busca melhorias nas redes como um todo, um cenário onde a teoria encontra a realidade: a coexistência de domínios MPLS diferentes (SR-MPLS <> LDP Tradicional).
A ideia é mostrar e enfatizar que uma integração do LDP para o SR-MPLS é possível, mas que exige atenção cirúrgica ao plano de roteamento.
Falo isso porque em grande parte dos ISPs com quem converso sempre caímos nos mesmos questionamentos:
'Será que o meu hardware roda?' (A capacidade de processamento do roteador de borda.)
'Tem licença para o Segment Routing?' (O custo e o licenciamento necessários.)
'Vai funcionar com a minha infraestrutura LDP já existente?' (A interoperabilidade e o stitching (conectar ou unir dois domínios de transporte MPLS diferentes).
O Alerta: O Sequestro de Rota e a Queda do Serviço.
"Em meus testes no laboratório, notei que serviços críticos já nativos em EVPN sobre SR-MPLS no core podem sofrer instabilidade ao integrar uma rede LDP 'pura' na fronteira. O ponto de atenção é o Roteamento de Underlay (OSPF).
O problema ocorreu quando o OSPF identificou um caminho de custo menor para o destino do PE (ex: PE-05) através da rede LDP em vez de usar o caminho direto do core SR-MPLS. Esse 'sequestro de rota' fez com que o LSP SR-MPLS fosse desativado, o que, por sua vez, levou à queda dos serviços EVPN por falta de transporte MPLS válido.
Como ajustei? O fix foi direto na fonte: Inseri um custo (cost) administrativo elevado (valor de 500 como exemplo) na interface do PE-Nokia-02 que se conecta ao Core-LDP01. Essa simples ação de Engenharia de Tráfego força o OSPF a preferir o caminho interno (SR-MPLS) de menor custo, protegendo o backbone e garantindo que o transporte do EVPN seja restabelecido.
Melhores Práticas: Os Cuidados ao Integrar o LDP. Aqui pondero algumas informações que tive ao realizar essa tarefa:
Para o sucesso da migração e para responder aos questionamentos mais comuns, é crucial ter atenção a dois fatores ao introduzir o LDP na rede SR-MPLS:
Migração em Paralelo: Para ter uma transição suave para serviços sob SR-MPLS, vale a pena contextualizar e rodar o SR-MPLS por completo, em paralelo ao LDP já funcionando. Essa estratégia permite que o novo underlay seja testado e estabilizado antes da migração final do serviço.
2. Controle Rigoroso do Custo OSPF: É o seu mecanismo de defesa. O ajuste do cost é “obrigatório” (usei esse procedimento por ser uma forma mais simples em um backbone de demonstração) em PEs de fronteira para estabelecer uma barreira lógica. Atenção sempre que associar uma rede LDP ao core SR-MPLS, pois o cost é o fator que define se o seu backbone continuará íntegro. Esse modelo é para o caso que você não desejar integrar o SR-MPLS na rede junto ao LDP já em uso (Caso essa rede não tenha serviço de cliente em MPLS), caso contrário, indico fielmente realizar em paralelo a inserção do SR-MPLS no OSPF da rede LDP “tradicional”. Dessa forma em uma convergência de rede seus serviços já em SR-MPLS não ficarão fora de operação.
1º Print – Sem custo OSPF:
Esse print demonstra em vermelho circulado a rede CORE-LDP tradicional inserida no “PE Nokia de fronteira”. Desses Nokias em diante a rede é somente LDP puro tradicional.
2º Print – Rede SR-MPLS ao qual o serviço EVPN de transporte esta Down:
Nesse print o serviço EVPN-L2 de transporte fim a fim sob SR-MPLS está off, pois o IGP no PE-02 Nokia passou a aprender a rede 10.0.2.3/32 via 200.200.100.2. Como a rede não tem SR-MPLS configurado o serviço não tem label mpls.
3º Print – Aplicação de COST no OSPF entre PEs de Fronteira Nokia com os Cores-LDPs de cada lado:
Como podemos ver a rota passou a ser apreendida via IGP onde se tem o SR-MPLS. Com isso temos conectividade no serviço EVPN L2 fim a fim.
Tabela BGP EVPN recebendo e enviando rotas.
Conclusão: O Caminho para a Redundância e Simplicidade Total.
Como vimos nesta análise, a convivência entre o LDP tradicional e o novo core SR-MPLS é um passo necessário, mas que não permite descuidos. O "sequestro de rota" pelo IGP é um lembrete de que, enquanto a rede não for totalmente migrada, o controle manual de métricas e custos administrativos é a nossa principal ferramenta para garantir a integridade dos serviços.
O ajuste de custo no OSPF que demonstramos é uma solução eficaz para o cenário de fronteira, protegendo o transporte EVPN e assegurando que o tráfego crítico siga pelo core mais moderno e capaz. No entanto, esta deve ser vista como uma etapa de transição.
O objetivo final deve ser sempre a consolidação de um backbone 100% SR-MPLS. Ao eliminarmos as dependências do LDP e RSVP-TE, removemos camadas de complexidade e preparamos a infraestrutura para a automação plena. Com o EVPN sinalizando tanto circuitos L2 quanto L3 (VPRN) de forma unificada sobre o Segment Routing, alcançamos o equilíbrio ideal entre escalabilidade, desempenho e facilidade de operação.
A migração é uma jornada, e garantir que o "antigo" não prejudique o "novo" é o que define o sucesso de uma engenharia de redes resiliente. A Nokia, especialmente com o sistema operacional SRE (Service Router Operating System - SR OS) e o silício FP4/FP5, tem se destacado justamente por ser rigorosa na implementação de padrões abertos (RFCs), o que facilita muito a convivência com outros vendors.